Movimentos migratórios: causas e consequências das migrações, Êxodo rural

Movimentos migratórios

A partir do momento em que as comunidades movimento de pessoas de um lugar para o outro tende a crescer.

Hoje, a mobilidade da população é um dos aspectos mais importantes no nosso pais,
As migrações têm influência na distribuição irregular da população, no envelhecimento e rejuvenescimento da mesma, na alteração da estrutura activa entre as áreas de imigração e emigração, na pressão sobre as infra-estruturas, etc.

A deslocação da população pode ser caracterizada espacial e temporalmente. Assim, podemos classificar as migrações do seguinte modo:

Quanto ao tempo – Dependendo do tempo que os indivíduos permanecem nos lugares de chegada, as migrações classificam-se em definitivas, se o objectivo é fixar-se definitivamente no local para onde se vai, ou temporárias, caso seja para permanecer apenas algum tempo (dias, meses ou poucos anos).
Um exemplo deste último caso é o dos mineiros moçambicanos que se deslocam para as minas da RAS.

migrações podem classificar em internas ou externas e elas por sua vez, podem ser temporárias ou definitivas.

As migrações temporárias podem considerar-se também periódicas, se se realizam periodicamente por exemplo: entrada de pessoas num país todos os fins de ano, em direcção à terra natal, a fim de passarem a quadra festiva; ou sazonais, quando se realizam numa determinada estação do ano - por exemplo, para as grandes plantações, para se fazerem as colheitas, o corte de cana, a ceifa do arroz, ou para prestação de serviços em instâncias turísticas durante o Verão, quando o fluxo de turistas é grande.

Quanto ao espapaço – As migrações podem realizar-se dentro do pais. Consideram-se externas ou internacionais aquelas em que se atravessam as fronteiras nacionais e internas quando se efectuam dentro do próprio país.
As principais migrações internas são as deslocações em massa do campo para as cidades, designadas por êxodo rural (migração campo-cidade).

Migração – deslocação de pessoas.
Imigração – entrada de pessoas num país.
Emigração – saída de pessoas de um país.
Migração interna – movimento da população dentro do país.
Migração externa – movimento da população para dentro ou para fora do país.
Êxodo rural – saída de camponeses e assalariados das áreas rurais para as regiões urbano-industriais. É um movimento de muitas pessoas.

Causas das migrações

A deslocação da população de um lugar para outro deve-se a vários factores: económicos, étnico-religiosos, físico-naturais, guerras e sociais.
Existem várias motivações para a mobilidade espacial dos indivíduos:
  • Económicas – São feitas livremente, à procura de melhores condições de Vida. Estas migrações são geralmente o resultado das diferenças de desenvolvimento entre as áreas urbanas e rurais, entre os países de partida e de acolhimento, portanto, das diferenças espaciais do desenvolvimento socioeconómico.
Estas diferenças caracterizam-se, nos lugares de partida, por baixos salários, altas taxas de desemprego, fracos resultados na agricultura, poucas escolas de nível mais elevado, fraca assistência médica.
  • Étnico-religiosas – As rivalidades étnicas e religiosas têm originado, nos últimos tempos, conflitos que muitas vezes resultam em confrontos, dando azo a que muitos grupos populacionais procurem refúgio noutros lugares ou mesmo noutros países onde se possam sentir em segurança. É o caso dos muitos burundeses e ruandeses que vivem no nosso país.
  • Físico-naturais – As calamidades naturais, as secas e cheias frequentes, a desertificação, os sismos e vulcanismos provocam também a migração das populações, devido ao ambiente adverso em que vivem, naquilo que hoje é designado por migrações ambientais.
Moçambique é disso exemplo, se considerarmos as deslocações causadas por cheias e secas. Basta recordarmos as cheias de 2000, que obrigaram ao reassentamento da população em áreas com menores riscos de serem atingidas pelas inundações.
  • Guerras – Este fenómeno, que grassa com frequência no continente africano, origina naturalmente a migração de muitas pessoas. O nosso país conheceu esta situação durante as guerras que o assolaram.
Hoje é possível observar povoamentos, particularmente nas zonas suburbanas das cidades e Vilas, nascidos das migrações das populações rurais oriundas das antigas áreas sujeitas ao conflito armado.
  • Sociais – A procura de melhores cuidados médicos, a falta de escolas com um nível escolar mais elevado e, em muitos lugares, o turismo, condicionam a deslocação da população para os sítios onde este tipo de condições existem. No caso de Moçambique, o turismo é também a causa da migração das populações para praias, parques nacionais, etc., para aí passarem férias.  

Consequências das migrações

Se as migrações são causadas por vários motivos, elas têm, por outro lado, consequências, tanto para os lugares de origem, como para os de chegada. O quadro da página seguinte ilustra, de uma forma resumida, essas consequências.

Refugiado – é todo o individuo que, temendo ser perseguido por motivos de raça, religião, nacionalidade, pertença a um determinado grupo social, ou ainda por causa das suas opiniões políticas, sai do país da sua nacionalidade.
Deslocado – todo o individuo que, diante de um perigo real (cheias, sismos, vulcões, guerras, conflitos sociais, etc.), teve de abandonar a sua terra, transferindo-se para outra parte do seu país, ou mesmo para outro país.

Tabela 6: Consequências das migrações










Lugar de partida









Positivas
Negativas




Demográficas
o   Diminuição da pressão da população
o   Redução da população
o   Diminuição da mão-de-obra
o   Diminuição do crescimento natural
o   Despovoamento
o   Envelhecimento da população
o   Diminuição dos jovens
o   Redução da fecundidade


Económicas
o   Entrada de divisas dos emigrantes
o   Importação de tecnologias
o   Mecanização da agricultura
o   Redução da mão de obra
o   Diminuição da produção

Sociais
o   Redução do desemprego






Lugar de chegada
Demográficas
o   Rejuvenescimento demográfico



Económicas
o   Contributo para a economia do lugar
o   Investimento dos imigrantes

o   Mão-de-obra barata
o   Desequilíbrios regionais





Sociais
o   Melhoria da condição social
o   Novos comportamentos culturais
o   Troca de experiências
o   Novo tipo de habitações, etc.
o   Bairros de lata
o   Sobrecarga das infraestruturas
o   Tensões sociais
o   Xenofobia
o   Dificuldades em absorver mais imigrantes
o   Aumento de encargos sociais (idosos, desempregados, grávidas, etc)
o   Stress
o   Marginalidade
o   Desemprego.

Tabela 7: Taxas de migração interna por província
Províncias
Taxa de imigração
Taxa de emigração
Niassa
4,9
4,3
Cabo Delgado
2,5
3,3
Nampula
2,9
2,4
Zambézia
2,0
5,2
Tete
3,8
7,2
Manica
15,7
4,9
Sofala
13,4
10,1
Inhambane
6,3
18,7
Gaza
6,7
19,5
Maputo (província)
49,5
14,9
Maputo (cidade)
60,8
20,9
Fonte: Atlas Sociodemográfico de Moçambique, INE, 2000

Maputo-cidade e a província de Nampula são aquelas que apresentam, respectivamente, as taxas mais elevadas e mais baixas de imigração e emigração.

Êxodo rural

O êxodo é um fenómeno recente nos países em desenvolvimento como Moçambique, sendo um dos principais factores responsáveis pelo agravamento ou surgimento de problemas de transporte, abastecimento de água, criminalidade, prostituição, desemprego e subemprego, entre outros.
   O êxodo rural é resultado do desenvolvimento desequilibrado, das condições de Vida precárias no campo, em comparação com as das cidades, geralmente melhores.
   Por um lado, as condições precárias de Vida no campo, que se traduzem em baixos salários, fraca assistência médico-sanitária, insuficiência de escolas, esgotamento dos solos, pragas agrícolas e guerras e, por outro lado, a atracão exercida pelas cidades, onde o padrão de Vida é mais elevado e as oportunidades são maiores, constituem as principais causas do êxodo rural no nosso país.
    Dado que os imigrantes das cidades têm um baixo nível de escolaridade e não possuem qualificação profissional, isso origina muitos problemas, tais como desemprego, formação de bairros de lata, criminalidade, sobrecarga de infra-estruturas (que resulta em dificuldades de saneamento), etc.

Bibliografia
NONJOLO, Luís Agostinho; ISMAEL, Abdul Ismael. G10 - Geografia 10ª Classe. Texto Editores, Maputo, 2017.
 

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