Teorias sobre a partilha de África

Teorias sobre a partilha de África

No âmbito das tentativas de explicar a questão da partilha, sobressaem quatro teorias ou grupos de teorias, nomeadamente, a teoria económica, as teorias psicológicas, as teorias diplomáticas e a teoria da dimensão africana.

Teoria económica

Sustenta que a partilha de Africa tinha motivações económicas especialmente ligadas ao desenvolvimento económico da Europa.
«A superprodução, os excedentes de capital e o subconsumo dos países industrializados levaram-nos a colocar uma parte crescente dos seus recursos económicos fora da sua esfera política actual e a aplicar activamente uma estratégia de expansão política com vista a apossar-se de novos territórios».

Teorias psicológicas

Darwinismo Social, Cristianismo Evangélico e Atavismo Social.
Darwinismo Social: baseia-se no Darwinismo que defende que, «na luta pela Vida, as espécies mais fortes dominam as mais fracas». Partindo desta ideia, o Darwinismo Social explica a partilha de África como a manifestação desse processo natural e inevitável.

Cristianismo Evangélico: considera que a partilha ficou a dever-se a um impulso missionário e humanitário com o objectivo de regenerar os povos africanos.

Atavismo Social: sustenta-se no pressuposto psicológico de que o Homem tem um desejo natural de dominar o próximo só pelo prazer de dominá-lo. Assim, a partilha de África seria um egoísmo nacional colectivo que se manifesta na disposição, sem objectivos, que o Estado manifesta de se expandir ilimitadamente pela força.

Teorias diplomáticas

Oferecem uma explicação política da partilha e dão suporte específico e concreto às teorias psicológicas, pois permitem ver os egoísmos nacionais dos estados europeus.
As principais teorias diplomáticas são:
  • O prestígio nacional
  • O equilíbrio de forças
  • A estratégia global.
Teoria do prestígio nacional: sustenta que o imperialismo era um fenómeno nacionalista movido por um forte desejo de afirmação do prestígio nacional. Para os defensores desta teoria, apos consolidar e redistribuir as cartas diplomáticas no seu continente, os europeus eram incitados por uma força obscura, atávica, que se exprimia por um desejo de manter ou de restaurar o prestígio nacional.

Teoria do equilíbrio de forças: defende que o desejo de paz e de estabilidade dos Estados Europeus foi a causa principal da partilha de África. Segundo esta teoria, desde que em 1878 os estadistas europeus pararam com os conflitos em solo europeu, os motivos de conflito passaram para África e Ásia. Quando os conflitos de interesses em África começaram a ameaçar a paz na Europa, as potências europeias decidiram partilhar África. Era o preço para salvaguardar o equilíbrio diplomático europeu, estabilizado nos anos de 1880,

Estratégia Global: considera que a partilha de África foi determinada por uma estratégia global. Segundo esta teoria, a influência dos movimentos protonacionalistas em Africa, que ameaçavam os interesses estratégicos globais das nações europeias, é que esteve na origem da partilha.

Portanto, foram as lutas desses movimentos que forçaram os estados europeus, até então satisfeitos com o controlo discreto do continente, a partilhar e conquistar África contra a vontade. Portanto, África teria sido partilhada porque ameaçava os interesses globais das nações europeias.

Teoria da dimensão africana

Todas as teorias expostas até aqui referem-se a Africa no contexto da História europeia. Impõe-se, contudo, analisar a partilha de África também na perspectiva da História Africana, Nesse contexto, emergiu a teoria da dimensão africana, segundo a qual, a partilha de África foi resultado do longo período de depauperamento do continente iniciado no século XV.
Por conseguinte, a partilha, mais não seria que o culminar do longo processo de delapidação do continente iniciado com a chegada dos primeiros europeus a África.




Bibliografia
SUMBANE, Salvador Agostinho. H11 - História 11ª Classe. 2ª Edição. Texto Editores, Maputo, 2017.

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