Ambiente bioclimático: Meteorologia, Evolução do conhecimento da Atmosfera

Ambiente bioclimático

O conceito de ambiente bioclimático define a combinação dos mentos bióticos e abióticos dentro do ecossistema. Consideram-se elementos bióticos os seres vivos (plantas e animais) e os elementos abióticos são aqueles que não têm Vida (a temperatura, a água, o ar, etc.).

Climatogeografia: é a ciência geográfica que estuda os climas, ou seja, os fenómenos que ocorrem na Atmosfera, tomando em conta os aspectos de repartição territorial.

Biogeografia: é um ramo da Geografia Física que estuda a distribuição territorial dos fenómenos da biosfera, ou seja, da fauna e da flora.

Meteorologia

A palavra Meteorologia vem do termo meteoro que significa aquilo que está elevado ou contido na Atmosfera.
Portanto, por Meteorologia entende-se a ciência que estuda de forma interdisciplinar os fenómenos da Atmosfera terrestre com enfoque nos processos físicos e na previsão do tempo. Assim, a Meteorologia tem por finalidade:
  • Fornecer bases metodológicas do estudo do comportamento da Atmosfera.
  • Apresentar os conceitos básicos e leis sobre o funcionamento da Atmosfera.
  • Prever o estado do tempo para fins de navegação aérea, marítima e para o público em geral.
·       Estabelecer relações com outras ciências com ligações com os assuntos de tempo e clima.
·       Recomendar as instituições interessadas sobre a possível ocorrência de certos fenómenos, de modo a minimizar os efeitos das calamidades (ciclones, tempestades, secas...).

Por exemplo, em certas comunidades próximas de lagos sempre que os sapos cantam em voz alta é Sinal de chuva; noutras comunidades quando as andorinhas voam baixo ou as galinhas levantam uma perna e escondem a cabeça na asa, significa que haverá chuva.

Apesar da sua importância, estas práticas de estudo e previsão meteorológica, primitivos, vão sendo substituídos nos nossos dias por mecanismos e instrumentos modernos mais precisos. 

Evolução do conhecimento da Atmosfera

Ao longo da História da humanidade, o Homem procura prever o comportamento da Atmosfera, partindo da observação dos sinais do tempo, nas manifestações de plantas e animais.

Na Antiguidade acreditava-se que a ocorrência de chuvas, tempestades, secas e outros fenómenos eram resultantes da actuação de certas divindades. Estas crenças existem em todas as civilizações e constituem a chamada Meteorologia Divina ou Metafisica. Nos nossos dias, ainda existem marcas destas crenças míticas e religiosas.

Paralelamente, as comunidades antigas, e não só, desprovidas de métodos e meios científicos desenvolveram um conhecimento próprio, baseado no comportamento dos animais e plantas, na posição dos astros, etc., para explicar e prever os fenómenos atmosféricos.

Na antiguidade e Idade Média

Uma das obras mais antigas sobre a Meteorologia foi escrita por Nei Tsing Sou Wen, por volta do ano 3000 a.C. Considerada a primeira obra sobre o tema debruçava-se, sobretudo sobre as previsões do tempo.
     Por volta do ano 400 a.C. iniciou-se na Asia das Monções, em especial na Índia, a previsão do tempo e o cálculo das taxas de precipitações.
   Cerca do ano 350 a.C., Aristóteles iniciou a utilização do termo «meteorologia» para descrever o que chamou Ciência da Terra que incluía a Atmosfera e aspectos hídricos.
     Finalmente em 300 a.C., o filósofo Théophraste Renaudot publicou a obra «Os sinais do tempo» a primeira obra de previsões meteorológicas na Europa. Até finais da Idade Média, manteve-se esta tendência de evolução a nível da meteorografia.

Na idade moderna e contemporânea

Nos séculos XV e XVI, o Renascimento criou as bases para o relançamento das ciências, particularmente a partir do século XVII. Acompanhando a evolução científica da época, o século XVII iria iniciar uma notável evolução no campo da Astronomia, graças aos trabalhos de cientistas como Galileu Galilei, Torriceli, Pascal, Robert Hooke.
    Durante este século há, a destacar, entre as principais realizações no campo da Astronomia a invenção do termoscópio, em 1607, por Galileu Galilei; a invenção do barômetro (instrumento para medir a pressão atmosférica) por Torriceli, em 1644 e, ainda, o fabrico do anem6metro para medir a velocidade do Vento, em 1667, por Robert Hooke.
    Ainda no século XVII, há a registar as contribuições de Blaise Pascal que, em 1648, descobriu que a pressão atmosférica diminui com a altitude, e de Halley, o autor dos primeiros documentos gráficos, da base cientifica (as cartas dos ventos alísios cobrindo do Equador até 300 de latitude norte e sul) e descobridor do cometa Halley em 1688.
    Nos séculos XIX e XX, os progressos na Meteorologia ocorreram tanto no que se refere à regulamentação das práticas e comportamentos em relação aos fenómenos meteorológicos bem, como no aparecimento de novos instrumentos de observação e medição, mais aperfeiçoados e de maior precisão, como balões-sondas, balões-pilotos, termómetros, pluviómetros, rádios-sondas, satélites, etc.
    No século temos a destacar-se a explicação matemática da chamada (força de Coriolis) por Gustave Coriolis em 1 835, bem como a publicação da lei das tempestades (em 1838) por William Reid. Foi marcado, no campo da Meteorologia, pela criação, em 1873, da Organização Meteorológica Internacional (OMI), além do estabelecimento de programas de observação das condições meteorológicas sobre os oceanos e continentes e de um sistema de troca de informações entre países.

Tendo por finalidade assegurar a previsão, num curto espaço de tempo assistiu-se a um grande aumento de postos de observação equipados com diversos instrumentos de observação de maior precisão tais como: balões-sondas, balões-pilotos, termômetros, pluviômetros.
     Uma das principais invenções do início do século XX foram rádios-sondas, lançados a partir de 1927, que permitiam transmitir automaticamente os dados das observações à medida que eram recolhidos.
     Os esforços para melhorar o sistema de troca de informações levaram a que, em 1950, a OMI fosse substituída pela Organização Meteorológica Mundial (OMM), que, por sua vez, criou a VMM (Vigilância Meteorológica Mundial) em 1951.
  Esta etapa de evolução da Meteorologia culmina com o surgimento da chamada Meteorologia sinóptica assente em novos instrumentos de medição, tratamento e transmissão de informação, nomeadamente o computador, o satélite meteorológico, o balão e o avião.
Os primeiros satélites lançados ao espaço foram o Sputnik, da URSS em 1957 e o Explorer, americano, em 1958. A partir deste momento, iniciou-se uma verdadeira competição entre os Estados Unidos da América e a ex URSS pelo conhecimento e controlo do espaço e em 1 969 0 homem chegou a lua.

Na era dos satélites meteorológicos

Dando seguimento aos progressos dos finais dos anos 50, em Abril de 1960, surgiu o primeiro satélite para fins exclusivamente meteorológicos. Trata-se do Tiros/, que alcançou 740 km de altitude, viajou por 78 dias, tirou 23.000 fotografias da Terra.
    Os satélites meteorológicos podem, de acordo com as suas características e funções, ser agrupados em duas famílias: os geoestacionários e os de Orbita polar.

Satélites meteorológicos geoestacionários

Este tipo de satélites são colocados em Orbita a uma altitude de 35-800 km, no plano de equador terrestre, movimentando-se constantemente å velocidade de 1094 km/hora e completando a rotação à volta da Terra em 24 horas. Permitem obter imagens sempre do mesmo lugar.

As principais funções são:
  • Medir a actividade solar e a intensidade e direcção do campo magnético.
  • Disseminar informações de rádio e televisão.
  • Obter informações de ventos em latitude.
  • Obter imagens em infra-vermelhos de meia em meia hora.
  • Prever sismos, medir a precipitação em locais de difícil acesso.
  • Medir a altura das ondas, velocidade das correntes e o grau de combustibilidade das florestas.
  • Fornecer informações para a navegação aérea e marítima.
Actualmente, existem vários satélites no espaço todos na latitude 00 ou seja na posição do equador. Pertencem aos El-JA, Japão, União Europeia, e países emergentes.

Satélites meteorológicos de Orbita polar

São satélites geralmente colocados à altitude não superior a 1500 km e destinam-se à cobertura das zonas de altas latitudes, entre os 500 - 900 Lat. Norte e Sul.
As informações são captadas por radares colocados em Terra. A maior parte destes satélites pertencem aos Estados Unidos da América, Rússia e União Europeia.
Estes satélites fornecem informações e bases científicas à Climatogeografia e, sobretudo, à previsão do tempo.

As principais funções:
  • Obter diversas imagens; perfis verticais de humidade e temperatura.
  • Medir as quantidades do ozono na estratosfera.
  • Retransmitir informações.
  • Medir a energia das partículas de proveniência solar.

Previsão do tempo

A previsão do tempo é uma actividade bastante complexa, envolvendo os seguintes procedimentos essenciais:
  • Recolha de dados através de satélites, estações fixas na Terra, estações montadas em navios e aviões, radares, balões de sondagem na Atmosfera, baias fixas å deriva nos oceanos. As informações recolhidas no âmbito do sistema mundial de observação são utilizadas para elaborar previsões ou apuramento climatológico.
  • Tratamento das informações nos 3 centros do sistema mundial de tratamento de dados situados em Washington, Moscovo e Melbourne.
  • Canalização das informações tratadas nestes centros para 25 centros regionais que, por sua vez, passam para os centros nacionais, depois de um tratamento pormenorizado.
  • Processamento das informações em cada país, com ajuda de computadores e difusão da previsão do tempo pelos órgãos de comunicação social (rádio, televisão, jornais e outros).

Previsão do tempo em Moçambique
Os passos da previsão do tempo baseiam-se em dados observados nas estações meteorológicas de superfície, convencionais ou automáticas, espalhadas por todo o território nacional e administradas pelo Instituto Nacional de Meteorologia (INAM); são 30 estações e 3 centros regionais que recebem e processam estas informações, sendo os dados enviados para a sede, localizada em Maputo. Além destas, usam-se também informações do radar e do satélite.
     Os meteorologistas mapeiam e analisam estas informações e só depois de feitas todas estas análises (cartas de superfície, modelos numéricos, imagens de satélites) tem-se maior segurança na elaboração da previsão do tempo para todo o país para ser usada pelo público, na agricultura, pesca, turismo e aviação civil.

Atmosfera
É uma camada gasosa que envolve a Terra e a acompanha em todos os seus movimentos.

Fig.: Atmosfera




Bibliografia
WILSON, Felisberto. G11 - Geografia 11ª Classe. 2ª Edição. Texto Editores, Maputo, 2017.

Comentários